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Por que mulheres adultas e maduras gostam de “Crepúsculo”?

Quatro razões para mulheres mais velhas gostarem de “Crepúsculo” Psicanalista explica por que a saga, voltada para o público adolescente, arrebanhou uma legião de fãs entre mulheres adultas Na foto: Taylor Lautner, Kristen Stewart e Robert Pattinson: o trio de protagonistas com o público ao fundo na premiere do filme “Eclipse” em Los Angeles, California […]

Publicado por: Cida Ramos

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Quatro razões para mulheres mais velhas gostarem de “Crepúsculo” Psicanalista explica por que a saga, voltada para o público adolescente, arrebanhou uma legião de fãs entre mulheres adultas Na foto: Taylor Lautner, Kristen Stewart e Robert Pattinson: o trio de protagonistas com o público ao fundo na premiere do filme “Eclipse” em Los Angeles, California Jenny West, uma executiva de finanças de 33 anos, criou com duas amigas o Twitarded – um blog voltado apenas às mulheres “maduras” (palavra trocada por elas, na apresentação do site, por “com mais de 18 anos”) que são fãs da saga “Crepúsculo”. A partir do blog, que tem mais de 1500 seguidoras, é possível comprar produtos que vão de canecas a roupinhas para cachorro, passando por camisetas e macacõezinhos de bebê, com a “marca” Twitarded – uma brincadeira que une “Twilight”, título do romance em inglês, a “retarded” (retardada, maluca). O Twitarded não é o único em seu gênero. O site TwilightMoms.com tem mais de 34.000 membros com mais de 21 anos. Robert Pattinson, ator britânico que encarna o jovem vampiro apaixonado, com apenas 24 anos entrou na lista das 100 pessoas mais influentes na revista americana Time. Voltada para o público adolescente, a história de amor entre a jovem Bella e o vampiro Edward foi contada em quatro livros – três já transformados em filmes – escritos por Stephenie Meyer, uma americana mórmon de 37 anos, mãe de 3 filhos, que estreou na literatura com o primeiro livro da saga, também intitulado “Crepúsculo”, seguido por “Lua Nova”, “Eclipse” e “Amanhecer”. O apelo que a trama tem junto aos adolescentes é claro, mas porque a saga conquistou também as mulheres adultas? Conversamos com o filósofo e psicanalista Arthur Meucci, coautor do livro “A vida que vale a pena ser vivida” (Editora Vozes), para descobrir. 1. O filme fala sobre a condição feminina Arthur defende que o sucesso da história reside no plano psíquico. Para ele, Bella é uma mulher representante do Complexo de Cinderela. “Ela é totalmente dependente das figuras masculinas da trama: vai morar com o pai, exige reciprocidade total de Edward e se coloca em situações de perigo para ser salva pelo namorado”, completa. Como as mais clássicas princesas dos contos de fada e heroínas às quais as mulheres de todas as idades estão acostumadas. 2. O amor entre os protagonistas é platônico Edward, bem, é um vampiro. Uma figura imaginária. “O Edward é alguém que não existe – na filosofia, essa relação corresponde à paixão platônica”, explica Arthur. “Por desejar um objeto que nunca será alcançado, este desejo jamais é saciado – ou seja, nunca termina”. E qual mulher, de qualquer idade, nunca sonhou com uma paixão inesgotável – mesmo que pelo próprio marido? 3. Edward é o “homem ideal” – ou melhor, “idealizado” Ele é onisciente, imortal, sabe do que ela precisa – e, como se não bastasse, é jovem para sempre. “A relação entre Bella e Edward se baseia no princípio da fantasia”, diz Arthur. “Ele representa alguém que entende você e que não exige esforço algum no relacionamento. É o homem que cuida de tudo, de forma que a mulher não precise cuidar de si mesma”, completa. Mais um sonho de consumo, ainda que inconsciente, de muitas mulheres. 4. A trama, no fundo, representa uma fase pela qual todo mundo já passou (ou ainda passa) Edward representa a fantasia, o prazer. Para Arthur, o saga trata da angústia de escolher entre se apaixonar por alguém fantástico, ideal, ou por alguém real, com defeitos e qualidade, como qualquer outro. “As mulheres vivem sempre essa questão: ‘fico com a fantasia ou com o mundo real?'”, explica. “Mulheres de todas idades podem resgatar ou passar por essa fase narcisista em relação ao amor, quando há o conflito entre relacionar-se com a fantasia ou com a realidade”. E se você acha que tem muitas velas no bolo para ficar impressionada com os filmes ou livros da saga “Crepúsculo”, não se desespere. “Depois de uma certa passagem da adolescência, as pessoas vão deixando de desejar o impossível e passam a desejar alguém que as façam felizes”, acredita Arthur. Fonte:IG Foto: Getty Images

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