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Reposição hormonal: início precoce eleva risco de câncer

Reposição hormonal: novo estudo associa início precoce a mais risco de câncer de mama  Mulheres que iniciam a terapia de reposição hormonal logo que entram na menopausa apresentam maior risco de desenvolver câncer de mamas do que aquelas que iniciam o tratamento mais tarde, segundo pesquisadores.  A descoberta, publicada na revista do Instituto Nacional do […]

Publicado por: Cida Ramos

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Reposição hormonal: novo estudo associa início precoce a mais risco de câncer de mama

 Mulheres que iniciam a terapia de reposição hormonal logo que entram na menopausa apresentam maior risco de desenvolver câncer de mamas do que aquelas que iniciam o tratamento mais tarde, segundo pesquisadores.

 A descoberta, publicada na revista do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, ajuda a responder algumas perguntas sobre quem corre maiores riscos de sofrer os efeitos colaterais deste tipo de terapia.

 O estudo com mais de 1 milhão de mulheres inglesas mostrou que aquelas que começaram a terapia pelo menos cinco anos após o início da menopausa apresentaram poucos ou nenhum risco de desenvolver câncer de mamas. As mulheres que iniciaram o tratamento logo que entraram na menopausa apresentam riscos 43% mais altos.

 “Neste amplo estudo, encontramos maiores riscos de câncer de mamas quando a terapia hormonal foi iniciada antes ou logo depois do início da menopausa. E este padrão de riscos foi observado em diferentes tipos de terapia hormonal, realizados durante períodos curtos e longos, tanto em mulheres magras como em obesas”, relatou a equipe liderada por Valerie Beral, médica da Universidade de Oxford.

 Os resultados do estudo são semelhantes a pesquisas realizadas pela Iniciativa da Saúde da Mulher (Women’s Health Iniciative – WHT), que constataram que mulheres que iniciaram a reposição hormonal logo que entram na menopausa apresentam riscos 41% maiores de desenvolver câncer de mamas quando comparadas às que aguardaram um pouco mais, disseram o Dr. Rowan Chlebowski, do Los Angeles BioMedical Research Institute, e Garnet Anderson, do Fred Hutchinson Cancer Research Center de Seattle.

 

Proteção ao coração

 Mas, em um comentário sobre as descobertas, os dois especialistas ressaltaram que o contrário é verdadeiro para as doenças cardíacas – mulheres que iniciam a reposição hormonal mais cedo apresentam menores riscos de desenvolver tais doenças do que as que começam mais tarde.

 Antes de 2002, a terapia hormonal era amplamente prescrita para diminuir os riscos de doenças cardíacas e osteoporose, problemas que aumentam bruscamente depois da menopausa, assim como para outros sintomas desconfortáveis da menopausa – como as ondas de calor.

 Entretanto, o estudo da Iniciativa da Saúde da Mulher constatou que a reposição hormonal aumentava o risco de doenças cardíacas, derrame e câncer de pulmão. As vendas de medicamentos para a reposição hormonal despencaram, principalmente do Prempro – pílulas de estrógeno e progestina da Wyeth, que tiveram uma queda de 50% desde 2001, representando uma perda anual de um bilhão de dólares. A Wyeth foi comprada pela antiga concorrente Pfizer.

 Em 2001, mais de 16 milhões de mulheres norte-americanas tomaram algum tipo de pílula de reposição hormonal, mas até 2009 este número caiu para 6 milhões.

Médicos observaram que as participantes do estudo da Iniciativa da Saúde da Mulher tinham, em média, 63 anos de idade, tomaram doses relativamente altas de Prempro e estavam acima do peso, em sua maioria.

 Ninguém tinha certeza do que aconteceria se mulheres mais jovens e mais saudáveis tomassem formulações diferentes.

 A equipe de Beral confirmou que, independentemente da formulação, as mulheres mais jovens em terapia de reposição hormonal apresentaram maiores riscos de câncer de mamas, mas os riscos desapareceram logo que o tratamento foi interrompido.

 O risco geral de câncer de mamas permanece baixo para os dois grupos – menos de 1% ao ano.

Outros estudos também mostraram que o índice de câncer de mamas caiu logo que as mulheres interromperam a terapia. Um estudo canadense do ano passado constatou que o índice de câncer de mamas entre mulheres mais velhas caiu 10% depois de 2002.

 A equipe de Chelbowski relatou em outubro que mulheres que tomaram pílulas de reposição hormonal apresentaram casos mais avançados de câncer de mamas e maior probabilidade de morrer da doença do que o grupo-controle com placebo.

Mulheres que fizeram reposição hormonal tiveram maiores incidências de câncer de mama em estágio avançado e foram mais propensas a morrer dele quando comparadas a mulheres que tomaram uma pílula placebo, o que aumentou a preocupação das autoridades norte-americanas sobre esses medicamentos muito usados por mulheres daquele país.

 O estudo, publicado na revista científica da Associação Médica Americana, é o primeiro a reportar mais mortes por câncer de mama entre mulheres usuárias da terapia de reposição hormonal. E mais: o primeiro a contradizer os resultados de pesquisas anteriores que sugeriram que mulheres em terapia de reposição de hormônios, quando acometida por tumores de mama, tinham cânceres menos agressivos e mais fáceis de tratar.

 “Ao contrário da idéia que tínhamos dois anos atrás, de que o câncer associado à reposição de estrogênio e progesterona seria de evolução favorável e sem grandes problemas para a mulher, estamos vendo hoje que essa reposição está associada a um risco maior de morte por câncer de mama” disse Rowan Chlebowski, do Instituto de Pesquisa Biomédica de Los Angeles, pesquisador líder do estudo, em entrevista telefônica à Reuters.

 As conclusões foram baseadas no acompanhamento, ao longo de 11 anos, dos dados de mais de 12 mil mulheres que participaram do estudo “Women’s Health Initiative”, o mesmo que em 2002 apontou que o uso contínuo de estrogênio e progesterona por cinco anos aumentava o risco de câncer de ovário e mama, assim como de Acidente Vascular Cerebral (AVC). Na época, a venda da terapia de reposição hormonal líder no mercado norte-americano caiu pela metade.

 

Dobro de mortes

 Analisando os dados das mulheres do estudo “Women’s Health Initiative” e encontraram duas vezes mais mortes por câncer de mama entre as que fizeram reposição hormonal – 2,6 mulheres em cada 10 mil por ano contra 1,3 em cada 10 mil por ano entre as que tomaram placebo. Quase 24% dos cânceres de mama das usuárias de hormônios se espalharam para os linfonodos, contra 16% entre as usuárias de placebo.

 “Os índices de todos os cânceres preocupantes, com prognósticos desfavoráveis, também aumentaram” afirmou Chlebowski, citando as formas agressivas de câncer de mama e não apenas os tumores não relacionados ao estrogênio, que são mais fáceis de tratar.

 “Pela primeira vez mostramos que as mortes por câncer de mama também aumentaram significamente” disse o pesquisador.

 Alguns fabricantes de medicamentos alertam aos médicos nas bulas dos medicamentos para prescreverem a reposição nas doses eficazes mais baixas e por um período curto de tempo. Mas mesmo essa conduta não está isenta de risco, sugere Peter Bach, do Centro de Câncer Memorial Sloan-Kettering, de Nova York (EUA), em um comentário publicado na mesma revista onde consta o estudo de Chlebowski e sua equipe.

“É importante enxergar os dados no contexto mais amplo, tanto em relação aos sintomas da menopausa quanto ao grande corpo de informações – desenvolvido em mais de 60 anos de estudos – sobre os benefícios e riscos da terapia de reposição hormonal”.

 Muitos especialistas apontaram que a idade média das mulheres acompanhadas no estudo era de 63 anos – uma faixa de idade posterior à menopausa – e que os resultados encontrados podem não ser aplicáveis a mulheres que fazem outras formas de reposição hormonal ou àquelas que iniciam a terapia imediatamente após a menopausa.

Dúvidas freqüentes

 Polêmicas à parte, uma coisa é certa: o tema ainda gera muitos pontos de interrogação. Por isso, procuramos especialistas para comentar algumas informações que sempre ouvimos, mas nunca temos certeza se são completamente verdadeiras. Confira.

 Todas as mulheres podem se submeter à terapia hormonal quando a menopausa chegar.

 Fato: Nada disso. De acordo com Maria Celeste Osório Wender, vice-presidente da Associação Brasileira de Climatério (Sobrac), há contraindicações bem definidas. Elas incluem: passado de câncer de mama ou de endométrio, presença de sangramento vaginal anormal sem diagnóstico e de doença hepática ou cardíaca severa.

 Doenças ou condições pré-existentes como diabetes, colesterol alto e hipertensão inviabilizam a TH.

 Fato: Com exceção dos quadros mencionados acima, todos os outros são passíveis de análise. “Para se submeter ao tratamento é preciso, antes de tudo, ter indicação. Assim, cada caso é avaliado individualmente”, completa Dolores Pardini, diretora do Departamento de Endocrinologia Feminina da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

 O tratamento eleva risco de câncer de mama, ataque cardíaco e derrame.

 Fato: Depende. Segundo a especialista da SBEM essa relação está sujeita a interferência de alguns fatores, como idade da paciente, doenças das quais é portadora, o tipo de hormônio usado, o tempo de menopausa transcorrido desde a última menstruação e o início do tratamento. Ou seja: os riscos variam de acordo com cada mulher.

 Quem faz uso de hormônios engorda.

Fato: “Já está absolutamente esclarecido que isso não acontece”, afirma Dolores, para acabar de vez com o temor de uma boa parcela da população feminina. Vale lembrar que, no geral, tanto homens quanto mulheres tendem a ganhar peso com o passar dos anos. Além disso, “na menopausa, elas assumem uma distribuição corporal mais masculina, ou seja, a gordura começa a se concentrar na região do abdome. Com a terapia hormonal, no entanto, os excessos se depositam em outras áreas, como mamas e quadril”, diz a vice-presidente da Sobrac, evidenciando outro fator que pode dar a falsa impressão de que a TH causa aumento de peso.

 A terapia hormonal melhora o aspecto da pele, das unhas e do cabelo.

 Fato: É isso mesmo. Quando a menopausa chega, muitas mulheres reclamam que a pele fica mais seca e fina, as unhas se tornam fracas e o cabelo começa a cair. Com a volta do equilíbrio hormonal esses problemas estéticos são amenizados. “Mas a TH jamais pode ser iniciada única e exclusivamente por causa desses motivos”, frisa Maria Celeste.

 O tratamento aumenta a libido.

 Fato: Os especialistas afirmam que, dependendo do tipo de tratamento há, sim, um aumento no desejo sexual. Em muitos casos isso ocorre devido ao aumento da autoestima feminina combinado à melhora da lubrificação vaginal (na ausência do estrogênio a área costuma ficar ressecada, causando muito desconforto durante as relações sexuais).

 Podem ocorrer sangramentos e cistite durante o tratamento.

 Fato: Depende. Quanto aos sangramentos, Zlotnik confirma que há chances de acontecerem alguns escapes. “Para normalizar a situação basta acertar as doses de hormônios”, conta. Já no caso da cistite, a reposição hormonal contribui para seu desaparecimento.

 A reposição hormonal pode ser feita só com testosterona.

 Fato: Sim, mas em casos bem específicos, “como quando há déficit isolado desse hormônio”, explica Dolores Pardini, especialista da SBEM. Normalmente a testosterona é indicada em associação a outros hormônios na pós-menopausa.

 A mamografia de quem faz TH é mais difícil de ser interpretada.

 Fato: Segundo o médico do hospital Albert Einstein, antes dos 40 anos as mulheres têm a densidade das mamas aumentada. “Quando ocorre a reposição de hormônios, é natural que voltem a essa situação”, diz. Assim, pode haver dificuldade em visualizar pequenas alterações na área por meio da mamografia.

 O tratamento via oral causa menos problemas do que aquele feito com adesivos e injeções.

Fato: Na verdade, é o contrário. O medicamento administrado por via oral precisa ser metabolizado no fígado, o que pode causar complicações em algumas mulheres. Maria Celeste aponta ainda que em determinadas situações a via oral não é a mais indicada, como em casos de hipertensão e diabetes.

 Não é bom realizar o tratamento por muito tempo.

 Fato: Há uma limitação relativa ao tempo de uso somente quando a TH é feita com a combinação de estrogênio e progesterona. “Isso porque há evidências de que o risco de câncer de mama cresce quando esse tratamento é realizado por mais de cinco anos. O uso de estrogênio isolado não evidenciou esse aumento”, descreve a vice-presidente da Sobrac.

 Depois que a terapia é interrompida a mulher envelhece mais rápido.

 Fato: Não é bem assim. A mulher envelhece na velocidade normal. “A diferença é que durante a reposição hormonal se sente mais jovem, já que o tratamento proporciona benefícios estéticos importantes”, analisa o ginecologista Eduardo Zlotnik, do Einstein.

 

Recomendações para o uso da terapia de reposição hormonal (TRH)

1- A TRH só deve ser indicada se os sintomas de menopausa forem moderados a severos;

2- As mulheres devem avaliar cuidadosamente os potenciais riscos e benefícios da TRH;

3- Os hormônios devem ser usados na mínima dose e pelo menor tempo possível;

4- A TRH não deve ser utilizada para a prevenção de doenças cardiovasculares ou demência;

5- A mulher em uso de TRH deve ser clinicamente reavaliada a cada 3-6 meses ou pelo menos anualmente.

Fontes: www.douranews.com.br
www.ig.com.br
/www.minhavida.com.br

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